O processo de certificação IBD
A certificação orgânica começa muito antes do selo. A fazenda passa por um período de conversão em que nenhum produto proibido pode ser aplicado — geralmente três anos para solo e lavoura. Durante esse tempo, o solo se descontamina e a microbiota se reestabelece, sob acompanhamento da certificadora.
Depois da conversão, a IBD faz auditoria anual e independente: inspeciona o campo, analisa o solo, revisa cada insumo aplicado, verifica registros de colheita e a rastreabilidade do lote. Só com tudo dentro do padrão o selo IBD Certificado é renovado. Não há atalho — o certificado é o resultado da auditoria, não o ponto de partida.
A auditoria também verifica a conformidade contínua, não apenas pontual. O cafeicultor precisa manter registros vivos durante todo o ano: o que comprou, o que aplicou, em qual talhão, em que data. É uma disciplina documental que transforma o manejo em processo verificável — e que protege o consumidor de rótulos vazios.
Padrões IBD, Orgânico Brasil e SISORG
O padrão IBD é o referencial da nossa certificação. Ele proíbe agrotóxicos sintéticos, OGM e adubos químicos de síntese, exige manejo que preserve o solo e a biodiversidade e adiciona critérios sociais de trabalho no campo. O selo Orgânico Brasil, visível na embalagem, é a marca pública dessa conformidade — o que o consumidor reconhece na gôndola.
Por trás do selo está o SISORG, o Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica. É nele que a IBD registra o produtor, o escopo certificado e o status da auditoria. Qualquer pessoa pode consultar a conformidade: o orgânico do Orube Coffee não é uma declaração da fazenda, é um registro auditado no sistema nacional.
Essa camada de verificação é o que separa "café orgânico" de "café com práticas orgânicas". O primeiro é auditado e consultável; o segundo é uma afirmação sem prova. Para o consumidor que leva a sério a origem, o caminho é simples: peça o número do produtor no SISORG e confirme. A transparência é um direito — e a certificação existe para garanti-lo.
Rastreabilidade de insumo a insumo
Cada insumo que entra no Orube Coffee é registrado para a IBD: origem, composição, data e talhão. Cada colheita é registrada por talhão e safra. Cada lote torrado carrega o talhão de origem. Esse encadeamento permite rastrear qualquer saca até o pé de café — e apresentar o dossiê completo ao auditor da IBD.
Para o consumidor, a rastreabilidade é a prova da promessa. Um "orgânico" sem registro no SISORG é só uma palavra; um orgânico IBD, com selo Orgânico Brasil e cadeia verificável, é uma conformidade que se consulta. É a diferença entre confiar e comprovar.
A rastreabilidade interna também é uma ferramenta de qualidade. Ao registrar cada talhão e safra, conseguimos comparar o desempenho sensorial entre lotes e entender como o manejo de cada área se reflete na xícara. O registro que serve para a auditoria serve também para melhorar o café — dado e manejo caminham juntos.
“O selo IBD não se declara — se comprova. A auditoria não perdoa: ou o manejo está dentro do padrão, ou o certificado não se renova.”


